De porta-voz da pandemia a investigado pelo Senado

Recorte do afresco A Justiça (Justitia), pintado por Rafael Sanzio por volta de 1511, na Stanza della Segnatura, no Palácio Apostólico, no Vaticano.

De todas as tiranias, a exercida sinceramente para o bem de suas vítimas pode ser a mais opressiva.
C. S. Lewis

* Notas



Durante a pandemia, Anthony Fauci exigia que o mundo acreditasse em suas palavras. Agora, diante do Senado dos Estados Unidos nesta quarta-feira, 29 de julho, fez exatamente o oposto. Foram 111 invocações da Quinta Emenda, enquanto senadores apresentavam documentos, e-mails e uma série de acusações que ele preferiu não responder.

Uma das atuações mais contundentes da audiência é o interrogatório conduzido pelo senador Josh Hawley. Baseando-se em e-mails e documentos obtidos pela comissão, Hawley acusa Fauci de ter mobilizado assessores e recursos públicos para disputar prêmios milionários enquanto os Estados Unidos enfrentavam a maior crise sanitária de sua história. Entre as alegações estão o uso de funcionários federais para preparar candidaturas a premiações, como o Dan David Prize, além de violações às normas de ética do serviço público.

Durante todo o interrogatório, Fauci não respondeu às acusações apresentadas por Hawley. Sua resposta é sempre a mesma: “Seguindo orientação dos meus advogados, invoco a Quinta Emenda.

É importante destacar que a Quinta Emenda é um direito constitucional e sua utilização, por si só, não constitui admissão de culpa. Fauci afirmou que decidiu permanecer em silêncio porque acredita que a audiência buscava produzir elementos para sua persecução criminal e classificou a investigação como politicamente motivada.

Durante anos, Anthony Fauci ocupou a posição de quem fazia as perguntas e definia quais respostas eram aceitáveis. Agora, pela primeira vez, os papéis se inverteram. Diante do Senado americano, não era mais a opinião pública que precisava justificar suas dúvidas, mas Fauci quem precisava explicar suas decisões. Em vez disso, respondeu da mesma forma 111 vezes: invocando a Quinta Emenda.

O homem que ajudou a redefinir o destino de bilhões de pessoas durante a pandemia agora se cala diante do Senado dos Estados Unidos. E esse silêncio diz muito mais do que qualquer resposta.


Por Karina Michelin.


Nota da editoria:

Sobre a imagem da capa:
A imagem da capa é um recorte do afresco A Justiça (c. 1511), de Rafael (1483–1520), que integra a Sala da Assinatura (Stanza della Segnatura), no Vaticano. A alegoria representa essa virtude como um dos fundamentos da vida pública, simbolizando a busca pela verdade, pela responsabilidade e pelo julgamento imparcial. Subir com fundo cinza

Sobre o artigo:
O texto abaixo foi extraído de uma publicação na rede X. Consideramos útil reproduzi-lo para oferecer ao leitor um panorama de um tema que tem ganhado repercussão e que, muito provavelmente, ganhará ainda mais espaço nas redes sociais. O título foi atribuído pela Editoria da Cultura de Fato. Subir com fundo cinza


Subir Trecho do interrogatório:





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